Idas e vindas de palavras ocas, ecoando. Do pouco que me lembro, do que não consigo esquecer.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Once
I thought you would became the very best part of me, the most crazy adventure. An endless tea party, with your milky-white brightness and so silly clever jokes.
I thought my life would change completely to aloud you to fit on my borders. But i had none.
The place you once had been seems to be no more than agreeable, comfortable, but now is no more than a painful hole in my already absent soul, an emptiness in my already vacant heart, a blindness in my already uncolorful mind. Just one more sadness in my already desperate life.
On top of a cliff of deep depression, a loss of all my hopes.
I thought i would once have you. And i thought being with you would change all my sorrow and give me a chance of fulfill my lack of achievable dreams.
I wish to wish you. With you. Dream your dreams.
I thought i would once have you, but now i don't even know i would have myself back.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Unclogging
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Oito anos
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Ficando Triste
terça-feira, 9 de abril de 2013
Sobre o Amor e o Divórcio
Sobre o Amor e o Divórcio
domingo, 18 de novembro de 2012
Fenda
Eu queria ser única e especial.
Queria não sentir tanto frio.
E ficar aqui sentada com meus arrepios.
Queria sentir aquela dor de novo
O aperto no estômago,
o sangue como lascas nos braços
sentir queimar a pele sob meus cabelos vermelhos
Ou de qualquer outra cor.
Eu queria ter de novo aquele sorriso inocente,
aqueles olhos brilhando
que me explicavam silenciosamente
porque eu jamais quis fazer alguém tão feliz.
Queria um dia ouvir o eco da minha risada
tão rara
o toque na ponta dos meus dedos
pentear seus cabelos molhados
andar na frente, os pés descalços
Queria poder te amar
sem saber que você ia me fazer sofrer
Sem ser atropelada pelas adversidades mais fúteis
Poder sonhar que um dia podia ser pra sempre
Mas fico aqui sentada, confusa, perdida, ridícula
Lamentando minha própria inocência
Desejando voltar no tempo
pra não ser tão imbecil
Querendo ser feliz como fui até pouco tempo
Acreditando que eu não fui sempre assim
Esperando que alguém apareça
Me reconheça
e me defenda
de mim.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Sozinha
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Canela e gengibre
Hoje ele levou as malas. Hoje eu durmo sozinha.
Na acupuntura, o doutor disse que eu estava com muita energia no pulmão, e pouca nos rins...
Eu me arrumei pra não ter que ficar em casa, mas não quis sair sozinha.
Tenho coisas a organizar, listas a fazer, tenho programas na Net pra assistir, um cãozinho querendo brincar
Mas, eu? Eu só quero andar em círculos tentando tirar essa dor na minha garganta.
Fervo um chá de canela, bem quente, bem forte, com açúcar mascavo, mas eu sei que vou dormir com fome.
Tentando entender porque você fez isso, mas é difícil sem minha bola de cristal...
E tentando entender como pude investir tanto de mim em algo tão vazio e se tudo que tentei fazer de certo foi o que fiz pra errar.
A água do chá secou na panela, de novo. Coloquei mais água e devolvi pro fogo, provavelmente pra cometer o mesmo erro mais uma vez.
Hoje ele levou as malas, mas quase nenhuma diferença fez. Não se nota nada faltando. A bagunça continua a mesma, a casa entulhada de coisas que não tenho onde guardar.
Hoje eu durmo sozinha, só pra perceber que já estava sozinha antes, desde que ninguém me abraça na cama.
Tento fazer circular a energia do pulmão, produzir água pra saciar o desânimo, a perda da memória, as dores nos joelhos.
Hoje eu fico sozinha, como sempre fui, do jeito que eu sempre achei que seria.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Separação
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Hirsuta
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Viagem Comigo – Advanced Mode
Eu tenho Euros, malas prontas, sapatos novos, listas e mais listas, listas de listas que ainda preciso fazer. Eu tenho dúvidas se devo levar meu computador, também se devo levar aquele vestido azul. A bolsa preta vai, com certeza.
Ainda preciso comprar escova de dentes nova e mais presentes pras pequenas que estão lá, tão longe. Eu tenho já o dia de folga, e os sapatos novos, a mala pronta desde domingo passado...
Eu tenho sonhos, tenho saudades, tenho vontades. Tenho a satisfação de realizar desejos, planos, promessas. Eu beijo o cãozinho, sabendo que vou sentir falta dele lá longe e, só pra variar, eu penso
Eu tenho dias, tempos, amores. Tenho fogo e frieza. Tenho ansiedade e mais ansiedade. Anseio pelos sorrisos, pelas lágrimas, pelos suspiros, pelos longos períodos de contemplação, intercalados com o bardear veloz das minhas mãos, aniosas pelo caderno novo.
Tenho que comprar caderno, presentinhos, escova de dentes. Tenho minhas sandálias novas, as passagens, as listas, a mala pronta desde domingo passado.
Tenho ansiedade pela saudade que ainda não estou sentindo. Anseio por saber que gosto, que cara, que cor terá essa saudade tão fácil, tão simples. Anseio por matar a saudade mesmo de quem ainda nem conheci. Anseio por conhecer. E já antevejo a dor da separação tão eloqüente e a expectativa de saber se o gosto, a cara, as cores da saudade que já sinto irão mudar depois de mortas e reavivadas.
Faço lista de prós e contras sobre levar o computador. Conto os euros, faço listas de orçamento.
Reservas de hotéis, e saudades.
Eu tenho tudo o que quero, sempre, por mais que invente coisas novas a desejar.
Saio amanhã, para mais uma viagem comigo, com meus sonhos, meus suspiros, meus longos momentos de contemplação, minhas saudades, minhas ansiedades, minhas listas, meus sapatos, minha nova escova de dentes e minhas malas prontas desde domingo passado...
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Faxina de Ano Novo
Não sei por que, mas no final do ano, sempre acabo correndo para fazer um monte de coisas que faltam para que o ano se dê por terminado. Até parece que ele vai acabar e eu vou ficar pra trás, no ano passado. Ou então que o ano vai acabar quando eu terminar meus afazeres. No final é só um dia atrás do outro, mas eu vou para o próximo dia sem pendências do anterior.
Assim, resolvo arrumar todas as gavetas e separar as roupas que não uso mais. No fim, não sei o que fazer com mais de uma dúzia de meias-calça e percebo a inutilidade de uma gaveta cheia de lingeries “especiais” – eu sou muito mais bonita do que elas... hehehe
Tenho mais camisolas do que calças e muito mais roupa do que tenho espaço para guardar... Isso é bom, eu acho... Por via das dúvidas, junto sacolas bem grandes para levar embora as roupas desprezadas.
No último dia, enfim, consigo colocar tudo em ordem, faltando apenas umas louças sujas na pia e arrumar espaço onde colocar materiais de estudo para aulas que nem leciono mais.
Faço uma máscara facial e hidrato os cabelos. Escolho as roupas para usar à noite.
O Alexandre chega mais cedo do trabalho, animadíssimo com uma garrafa de Courmayeur, cheio de planos e mil propostas de festas.
No fim, só queremos ficar com as pessoas com quem estivemos todos os outros dias corriqueiros do ano que se passou. Nem foi lentamente, nem foi rápido demais. Demorou mais ou menos um ano. Ainda assim, ficamos ansiosos para que o ano acabe, confiantes de que o próximo será melhor, sem no entanto ter muita certeza de que fizemos algo para que o próximo ano seja de fato melhor.
No fundo, acho que nem sabemos bem o que esperamos.
Esse ano não quero trabalhar mais, nem melhor. Quero que o salário aumente. As folgas também. Não tenho planos de concluir os muitos cursos que deixei pela metade. Parece que quero andar pra trás ou pros lados...
Quero meu laboratório fotográfico pronto e tempo para usá-lo. Dias bonitos e ocasiões para tirar fotos. Mais aulas de dança e menos de psicologia. Mais poesias e menos crônicas. Quero reler mais dos livros que li na infância e não tenho nenhum plano de ler Skinner.
Quero gastar menos, para poder gastar mais nas minhas preciosas férias em maio.
Quero que os bebês nasçam logo pra eu vê-los abrindo os olhinhos, engatinhando, falando.
Esse ano não tenho planos, tenho colheitas. De frutos que virão independentes de mim.
Esse ano não quero realizar, quero usufruir.
Estou cada dia mais descansada e desejando descansar... Eu bem pensei que queria ser menos bobalhona, mas ainda não consigo ver o que teria de bom nisso.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Despertando
Abro os olhos numa sexta-feira, cheia de afazeres não feitos no trabalho. O dia promete ser bem atribulado. Ainda assim, abro os olhos devagar, ciente de que o despertador ainda não tocou. Faço tudo devagar, levanto-me devagar, seduzo devagar, convenço devagar, amo devagar, e vou me arrastando para um banho que já devia ser apressado. Canto em voz alta sob a água, certa de que o som me sai doce e agradável. Saio andando molhada, observando minhas curvas e minha pele ainda levemente dourada.
Hoje encontrei duas gavetas de roupas minhas que eu nem lembrava que existiam, como um tesouro perdido despencando do céu no meu colo. Hoje uso preto, uma blusa que eu nem sabia que tinha. Acrescento um cinto fino, sem necessidade, e um bracelete de couro, com detalhes semelhantes. Faltam vinte minutos para entrar no trabalho e ainda não penteei os cabelos. Enfio os pés numa sapatilha de pano, parceira fiel nas badaladas noites de dança de salão. Ajeito os cabelos, fazendo seu novo cumprimento emoldurar-me o rosto e pego uma pontinha de pomada para garantir que ficarão assim e para estilizar o arrepiado atrás, que uso desde sabe-se-lá-quando. 9 minutos depois estou em frente ao elevador, o gosto doce de um copo de iogurte ainda nos lábios. Desço os vinte andares passando protetor solar no rosto, mirando o meu reflexo no vidro negro das paredes.
Hoje amanheceu um dia quente, com cheiro de domingo. Ouço Dave Matthews e Oasis no caminho. Dirijo leve, como seu eu soubesse o que estou fazendo.
Fazem mais de dois meses que, por conta própria, interrompi o uso dos antidepressivos. Isto mesmo, no plural. Passados os dias de sono insuportável, de insegurança e oscilação, de morosidade e melancolia, de compulsões incontidas, finalmente, movimento-me com a leveza de quem dormiu o suficiente, sem pesadelos, achando-me bonita, achando tudo belo. Acordo nesse calor de dezembro, anunciando o início do verão e a poesia está lá, me encarando com um sorriso misterioso e travesso. Atravesso as avenidas e a arte está lá, me contemplando como se eu fosse uma galeria com uma nova exposição. A irreparável consciência da finitude de volta à disposição para realizar, para viver. A plenitude voltando a existir para mim, sem nunca ter abandonado os meus dias, de fato. As estáticas paisagens cinzentas de repente movimentam-se em frenesi, cheias de cores vivas.
Quando me gosto, ouço rock, visto-me de punk, abandono os saltos altos.
E, como se só agora soubesse, penso em todas as coisas boas, as pessoas que cruzaram nestes dias pisando minhas raízes.
Desperto mais uma vez, torcendo para ficar maníaca nestes dias, para comemorar as festas com minha família, gastar tudo o que não tenho em presentes às pessoas que amo, ansiosa por ver o quanto Aninha cresceu, o Bê liderando a gang, o Arthur aprontando todas, como se nada mais importasse, o Rafa deixando rapidamente a infância para se tornar um rapazinho esperto...
Aí quero fazer festinhas para os muitos bebês que estão para chegar...
Divertir minhas amigas que estão para casar...
Kilda tinha razão: Como eu sou boba! Tudo isso já estava aí!
É como se eu estivesse sob as águas do tororomba, não com a leveza gelada que elas têm, mas imersa naquela escuridão intransponível e, simples como acordar de manhã, romper a superfície com o ar cálido invadindo meus pulmões exauridos.
Fim da Nova Viagem Comigo - 4ª edição
Sento com minha mãe às margens do mar na praia de batuba, sabendo num relance que ela não vai suportar ficar ali, parada. Sorrio para
mim e ela quer saber porque, mas eu não sei colocar em palavras.
Gosto disso, de visitar um lugar e ficar agindo por
aqueles poucos dias
como se eu morasse ali. Como se descer a rua para tomar uma piña colada numa espreguiçadeira fosse parte da minha rotina diária, fizesse parte da lista dos meus afazeres cotidianos tanto quanto despertar, escovar os dentes, ir para o trabalho.
Passamos os dias subindo aquelas ladeiras sem nenhuma vez fazer num dia o mesmo que foi feito em outro. Comemos peixe e frutos do mar até a sua simples menção fazer enjoar o estômago. Conhecemos pessoas novas, lugares – paradisíacos! - novos. Na quinta-feira seguinte nos deleitamos com costelinha de porco, na terça anterior, Coré. Um dia ou outro pasta com
camarões e salmão. Um dia passamos no Tororomba, comemos bolinhos absurdamente gordurosos, visitamos o cemitério do local, enchendo as cabeças com histórias para serem contadas, bebemos água das fontes ferruginosas do local. Uns dias sequer almoçamos propriamente, andando em Ilhéus beliscando kibes, sorvetes e pudim de leite.
Triste tirar férias sem estar propriamente cansada, mas sempre boa a sensação de conhecer o novo, reconhecer o velho, aventurar-me a rir até a barriga doer, arriscar-me conhecer pessoas para me despedir depois com um abraço temeroso.
Volto para Brasília com aquele sensação que dá quando seu sobrinho te chama pra brincar, mas você está ocupado. Ansiosa para terminar meus afazeres e descobrir que novas aventuras a imaginação dele pretende te levar, o mais rápido possível. Mas retorno de novo, só pra ter logo a sensação de dever cumprido que me trará o início do meu próximo descanso.
04-11-2010 – Saindo de Casa, Voltando pra Casa
Volto para minha casa, no lugar onde me escondo. Parece até ligeiramente irreal, parece uma lembrança, às vezes espero acordar, como se sonhasse, depois de ter sonhado tantas vezes com este lugar, tentando trazer minha mãe comigo. Nos sonhos, os lugares eram diferentes do que realmente são e as situações eram uma mais sem sentido que a outra e nunca conseguíamos chegar, para eu mostrar à minha mãe, irmã, amor, irmão, cunhada, pai, os deslumbramentos que este lugar me provoca. Agora chego aqui e tudo é simples e natural, como se eu sequer houvesse antes partido. Como se o tempo que passei no meu apartamento no 20º andar, as idas e vindas à casa de minha mãe, os longos trajetos até o trabalho, umas duas ou três cidades ao sul de bsb, tudo, fosse não mais que um breve pesadelo do qual acordo esvanecendo em fiapos as lembranças e, ao saltar da cama nem lembro que sonhei.
Sento no meu ansiado silêncio, para assimilar tudo isso, pra poetizar piegas sobre minha felicidade, pra me sentir plena e bem sucedida, para criar e ter mais sonhos a tornar concretos. Mais um suspiro e desprezo a desnecessidade de registrar tudo aqui, só viver, só viver e, quem sabe emendar nestes pensamentos mais um breve cochilo.
Fractais - O Preço do Apreço

Um dia decidi não desmarcar mais compromissos. E, ao mesmo tempo, decidi comprometer-me comigo e comigo apenas.
Aí, a paixão pela música e pelas descobertas venceram o constrangimento de sair sozinha. Parei de comprar quilos de queijo e litros de vinho para as festas na minha casa. E passei a ir aos pubs, mesmo quando todo mundo furava.
Meus amigos se tornaram pessoas mais leves e variadas – e a levar petiscos e bebidas às festas – e eu tomei gosto tal por sair sozinha que parei de convidar as pessoas. Assim, comecei a conhecer pessoas novas, com preferências semelhantes às minhas, que vieram a preencher as festas na minha casa.
Perdi muito da minha timidez natural, passei a conversar com interessantes estranhos. Comecei a gostar tanto disso, que passei a viajar sozinha nas férias e ter novas pessoas de quem sentir saudade, nos intervalos dos meus atendimentos.
Descobri que gostava da minha voz e da minha companhia!
Passei a estar de passagem sem carregar comigo nenhuma mala ou mobília.
Eu nunca mais fui só. Até os lugares passaram a ser parte de mim, como amigos queridos.
Hoje eu conheço um novo pub, com novos nomes pras mesmas bebidas, com pessoas com roupas bonitas, cuidadosamente escolhidas, uma nova mesinha isolada, pra me sentar só e ouvir bandas novas, tocando velhas músicas...
domingo, 3 de outubro de 2010
Outros Outubros
Para não decepcionar ninguém e em reconhecimento dos que esperaram.
Eu, na verdade, não ia fazer nenhuma edição de outubro, pois sequer notei que outubro havia chegado. Eu estava lá ocupada com as trocas de servidores no trabalho, a viagem no meio disso tudo, a falta de grana, a remarcação das férias, os bebês da família, a falta de grana, o serviço novo do marido, o tempo ocioso do marido, a falta de grana...
Um dia, percebo que, à toa, estou com um nó não desfeito na garganta e em diversos músculos do corpo. Na sexta me arrumo e dirijo uns 50Km para despedir-me de um amigo querido por uns cinco minutos e, sem perceber, estou no carro de volta e as lágrimas vêm fortes aos olhos. Tão frustrada com tudo, apesar de tudo estar tão bem! Aí chego em casa e vejo o email da Clau me desejando um feliz outubro, me lembrando que é outubro. Muitas outras cobranças para os textos vêm. Eu nem ia escrever nada, não tendo percebido que o mês acabou. Pra mim isso só representa a entrada do meu salário na conta. Eu não queria mais estabelecer ligação entre esses eventos, mas não tem como evitar.
Mas não queria mais escrever sobre meus outubros, meus dias cinzentos do final de setembro, as chuvas em novembro. Todo ano meus textos são iguais, todo ano sofro em outubro. E me provoco ainda mais dor me afastando de todo mundo com a minha melancolia travestida em mau humor.
Os olhos enxarcados, mas sem tempo para soluçar. Sinto saudade dos dias que me encolhia gemendo, desejando ardentemente não amar ninguém, só a mim, só a mim. Nada disso resolve, só traz mais dor.
Eu não escrevo mais poemas, meus sentimentos não têm mais cor, eu apenas admito friamente que amo a despeito das ações que faço. Mesmo assim, as palavras atropelam minha língua e meus dedos. Mesmo assim, ainda tenho gente ansiosa pela postagem nesse blog bobo, me mandando emails, tentando me fazer sentir melhor apenas disso tudo.
Neste outubro, como nos outros, quero apenas ficar sozinha. Desamar! Desmagoar! Quero esconder-me para que ninguém me toque e omitir-me de tocar também. Mas cansei dessa gangorra, dessa montanha russa emocional. Cansei de ficar dengosa, te querendo perto e agressiva, alimentando raiva tentando te odiar, por ficar tão distante. Cansei!
Mas agora pareço tão distante da paz que nem mais sei se isso existe ou é possível. Deixo-me, declino-me, abandono-me, longamente me espero pra só retornar quando eu puder esperar por março.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Fim da Nova Viagem Comigo - 3ª edição
Levantei-me, enfim, para o banho decidindo severamente comprar-me uma “havaiana”. Desesperei-me com os 4 registros do chuveiro. Liguei o 1º, a água saiu fria. Fechei. Liguei o 2º. A água saiu gelada. Tornei ao 1º e esperei mais tempo dessa vez, até a água estar quente o bastante para tomar coragem de molhar-me inteira. Depois de um tempo a água estava agradavelmente quente, depois um pouco mais, quando os braços estavam dormentes e formigando consegui ajustar a temperatura e o banheiro já era todo uma sauna a vapor e eu, toda vermelha, achei que era o bastante e dei o banho por encerrado. Aprontei-me rápido e achei-me linda em minhas roupas de frio.

Comi pães, sanduíches frios, queijos, ovos mexidos, saladas de frutas com generosas colheradas de um creme branco parecido com chantili e por último, uma grossa fatia de pudim de leite com caramelo.
Tudo em Campos tem cara de Natal, até as luzinhas piscando. Jardineiras flori
das, cafonas, sob as janelas, cheiro de chocolate quente e canela. Venho elegante em meu casaco vermelho-cereja, ventilar minhas idéias na esperança de renovar aquilo que faço todo dia.
Reconheci velhos conhecidos jovens como eu, ouvi nomes de pessoas velhas trazendo temas novos e me envelheci, sem paciência com os aluninhos que perturbavam as palestras, provavelmente sem conseguir entendê-las. Depois envelheci ainda

mais, sem dar conta de passar a noite acordada, tomando vinho com algumas das pessoas mais ilustres presentes ali, “celebridades” de nosso pequeno mundinho acadêmico.
Pude fazer tudo o que mais gosto, embora exausta com tantas "aulas" e pululando de novas idéias pro trabalho, ainda pude experimentar truta ao molho de alcaparras, comer até não aguentar mais, acordar sem despertador, tomar banho bem quente demorado, apaixonar-me pelos lugares, pelas coisas, pelas pessoas, por mim. Pude transgredir e me sentir ótima depois, pude divulgar-me e ao meu trabalho, fazer planos e projetos com pessoas mais importantes que eu. Conhecer pessoas e a mim, por consequencia. Assumir-me tímida, em vez de fingir que não sou (porque tenho vergonha de ser tímida) e permitir-me envolver e expressar o amor que desenvolvi por essas pessoas. Só por isso já valia toda a viagem e o grande rombo orçamentário que adquiri por causa dela.
Volto para Brasília com raiva do calor seco e da fumaça, desejando passar o resto da vida em divagação intelectual, taças de vinho bom, piadas inteligentes, numa cidade deliciosa como Campos. Sinto-me ansiosa antes de embarcar no avião, e para despedir-me com muitos abraços sinceros e apertados nos amigos que tornaram a viagem ainda mais especial.
Mas volto e Brasília está quente, seca e esfumaçada. O ar que vem de lá provoca turbulências no avião e em mim. Desço já com outros pensamentos, ansiosa pelo seu amor, sua voz, seu toque, seu sexo. Tomo mais uma taça de vinho antes de dormir e acordo no outro dia com as fortes dores de cabeça, decorrentes do clima, da ressaca e, principalmente, da abstinência de tudo aquilo.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Nova viagem comigo - 3ª edição

Saio para uma curta aventura solitária, como prenúncio da próxima.
Subo pelos ares e, rápido, a colcha de retalhos do entorno de brasília se transforma num
cobertor felpudo, amarfanhado sobre uma cama gigantesca, em minas. Por trás da minúscula janela do avião, vejo um dos pores-do-sol mais belos da minha vida, sob aquele clima que só BH me traz.
Vontade de descer e sentir-me de novo naquela cidade, como um novo início da vida, só que voltando ao passado.
Rápido demais subimos de novo, para o infinito multicolorido, parecendo tela de zeração de jogos antigos, de atari. O sol escondido, deixando acima de si tons acobreados de laranja, vermelho, verde e azul. O céu, enfim, começa a talhar-se de nuvens espessas, inexistentes no planalto central nesse período. Quando a noite termina de cair, logo vemos o mar de pontos dourados, enlouquecidos, que é são paulo. A temperatura ainda amena, confusão fazendo parte da rotina para partirmos para o destino final. Arrasto as duas malas pelo aeroporto e afora.
Quase meia noite chegamos em Campos do Jordão, eu na minha simpática solidão silenciosa. Me engano que o frio profundo que sinto é devido ao horário. A cidade toda parece um glaçado de natal, ou um cenário de brinquedo, como o que eu tinha, da guliverlândia.

Acomodo minhas roupas correndo do tapete ao armário e de volta. O piso gelado. O aquecedor parece não funcionar, embora a seu lado eu sinta o calor na máxima potência. Tiro fotos de mim, achando-me bonita.

Uma enorme cama fofa repleta de cobertas sorri pra mim, tímida, mas convidativa e eu não hesito em desfraldá-la, fazendo bagunça nas muitas colchas, presas nas laterais. Acordo no outro dia com mais frio do que estava na madrugada. Cubro a cabeça pra me esquentar, sabendo que devia era ter ali o seu corpo que o faria maravilhosamente.
Não consigo voltar a dormir, o despertador toca em seguida, trazendo também uma mensagem da minha mãe, preocupada.
Salto da cama, escolhendo mentalmente a roupa a vestir e me questionando se os casacões comprados exclusivamente para esta ocasião serão suficientes e me preparo pra enfrentar minha timidez e a multidão que que espera de fora da porta, na minha pequena jornada intelectual, descanso para os dias de mera execução de tarefas profissionais.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
O Farol
Hoje eu decidi chorar, mesmo sabendo que não tenho lágrimas. Então o fiz do meu jeito, ficando vermelhinha e agarrando-me ao meu violão e às músicas tristes que me vêm, existam elas ou não.
Contando os segundos para o fim da minha paz solitária. E me senti mais estúpida que de costume, com as decisões erradas que tomei, os caminhos errados, as palavras erradas, as danças erradas com as músicas erradas... Eu vivo uma vida com poucos arrependimentos, mas basta um...
O ruim de ser sozinha é não ter colo. E quando chega, todas as noites, o fim da minha solidão, me sinto ainda mais vazia e estranha. Nenhuma companhia aplaca minha triste clausura voluntária. Só eu cuido de mim. Só eu me importo comigo. Só eu me dou o trabalho de me deixar feliz. Só.
Eu sei que de alguma forma a felicidade está dobrando a esquina, mas por alguma razão eu continuo presa no farol.
Mas não sou de ficar esperando que alguém resolva por mim meus problemas, continuo inertemente buscando pequenas soluções para os meus pequenos probleminhas cotidianos, minhas coisinhas de mulherzinha. Tecla por tecla no meu piano.
Continuo pequena e, na minha pequenez, me dou o direito de magoar-me com meus esforços solitários. Tudo pequeno demais pra ser importante.