sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Failure


A poesia tem tomado conta dos meus dias de forma tão intensa, que começo a sentir meus fracassos como se fosse não mais que uma oportunidade de ... arte!

Não sei, mas parece que devia me incomodar com o fracasso. Sinto o incômodo de dever me incomodar. Não sei se me sinto aliviada por me livar de uma obrigação ou se simplesmente aprendi a enfrentar minhas falhas como experiências, vivências...

Parece que tenho prazer em perceber minha humanidade, quando em algum aspecto não sou bem sucedida. Ou uma derrota talvez não seja capaz de minar meu reconhecimento dos sucessos.

Eu “jogo fora”, 2, 3, 5 anos da minha vida com uma atividade que não me levou pra onde queria ir e só penso que tinha o direito de errar. Mas passo os dias admirando os pequenos calos na ponta dos dedos, sucesso em retomar parte da música que acreditei estar perdida de mim. Vejo no espelho e no tato, o sucesso do cuidado diário com minha pele. O ânimo das manhãs para ir ao trabalho, porque é tudo que sempre sonhei. O abrir mão das pequenas regalias que o dinheiro pode comprar, como sucesso para a expansão da minha clínica...

Meu sucesso está nas pequenas coisas, mesmo que meus fracassos estejam nas grandes.

Sou pequena o bastante para nunca esquecer dos detalhes cotidianos.

E pequena demais pra enxergar a magnitude dos desastres que pontilham minha humanidade.

Ainda assim, não sei se isso é verdade, ou se é apenas a pintura que fiz de mim, pra não sofrer com a perspectiva de falhar onde todos tiveram êxito.

Arte.